Pouco uso de hidrovias e ferrovias eleva custo para escoar soja no RS
- Do G1 RS
- 30 de abr. de 2016
- 2 min de leitura
Maior parte da carga é transportada em caminhões em rodovias até o Sul. Série do RBS Notícias mostra a rota da soja, das lavouras ao comércio.

A soja produzida e colhida no Rio Grande do Sul quase não permanece no estado. É exportada do Porto de Rio Grande para outros países do mundo. Da lavoura, costuma seguir viagem de caminhão até o Sul do estado, percorrendo milhares de quilômetros de rodovias. Ferrovias e hidrovias ainda são pouco utilizadas, apesar de serem alternativas mais baratas, devido à falta de investimento. A quinta reportagem da série Caminhos da Soja, veiculada no RBS Notícias, mostra a trajetória do grão (veja no vídeo acima).
Quase toda a soja que sai das lavouras gaúchas passa pelas estradas do sul do estado, com destino ao Porto de Rio Grande. O custo do transporte encarece a produção. "São cerca de 100 quilômetros, o que dá em torno de R$ 32 a R$ 35 por tonelada pra entregar o produto”, afirma o agricultor Elias Beiersorf.
Enquanto um frete rodoviário de Porto Alegre a Rio Grande, por exemplo, custa em média R$ 55 a tonelada, por barco sai em torno de R$ 35 reais a tonelada. É 63% a menos.
De 14 milhões de toneladas, só R$ 1,6 milhão chega ao porto usando as hidrovias, o que representa apenas 11,4% do total.
A baixa procura pelo transporte hidroviário no setor agrícola, segundo especialistas, é atribuída à falta de novos terminais de embarque e desembarque nos principais rios e canais do estado. Outro entrave é que a hidrovia escoa grandes cargas.
"Não pode ser quantidade pequena senão o setor hidroviário não absorve. Para que isso aconteça, o sistema cooperativo se beneficia porque aí a própria cooperativa reúne um certo grupo dependendo do produto, e aí sim forma uma quantidade viável ao setor hidroviário”, analisa o professor da Universidade Católica de Pelotas (UCPel), Gilberto Cunha.
Transportar por hidrovia é um ganho para o meio ambiente em relação ao transporte por rodovia. Além disso, a manutenção rodoviária é bem mais elevada do que a hidroviária.
O Rio Grande do Sul tem cerca de 700 quilômetros de malha hidroviária , por onde passaram 3% de toda a carga movimentada no estado no ano passado.
“Uma determinação do atual governador é que a gente avance nesse sentido, embora não tenhamos recursos. Estamos buscando, já fizemos investimento em boias, temos recursos da Cide e estamos buscando navegabilidade 24 horas, com investimento na ordem de R$ 2 mi”, afirma o diretor da Superintendência Portos e Hidrovias, Luiz Alcides Capoani.
Outra alternativa para o transporte da soja também é pouco utilizada. De toda a soja que chega ao Porto de Rio Grande, quase 18% vai por ferrovias.
A empresa que contrata um caminhão para sair com soja de Cruz Alta até o porto de Rio Grande paga em média R$ 72 por tonelada. Já no caso do trem, o custo é R$ 65 a tonelada.
Hoje todo o transporte ferroviário no sul do país é feito pela ALL, em um sistema privado. De trem, de navio ou de caminhão, a safra de soja chega na última parada em solo gaúcho. Do Porto de Rio Grande, os grãos seguem o caminho da exportação.
Comentários